quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Elogio ao Mau Gosto

Há alguns meses eu fiz um post com esse nome no meu blog pessoal. Quem quiser dar uma olhada, o link está aí ao lado.
Basicamente, eu falava dos filmes "fortes", que "chocam", os bons e os ruins. Ontem eu assisti a um deles, infelizmente, um filme ruim...e tive a idéia de postar aqui.

O filme que vi ontem foi "Ett hål i mitt hjärta", traduzido "Um vazio no meu coração". Eu estava extremamente ansiosa para ver esse filme, visto que é do mesmo diretor de "Fucking Åmål" e "Lilja 4-ever". Lukas Moodysson me impressionou demais com esses dois filmes. O primeiro é simples, conta a história de duas meninas que se apaixonam e enfrentam as pessoas da escola, família e etc. Meio clichê, mas para um diretor que estava começando, estava ótimo. Aí veio a Lilja e digo que fiquei completamente apaixonada pelo cinema de Moodysson. Lilja é uma garota abandonada pela mãe (ela vai para os EUA com o marido e a deixa sozinha em casa) e faz amizade com um menino em situação parecida com a sua. Até que ela conhece o homem dos seus sonhos e o conto de fadas deixa de ser tão lindo assim. Moodysson chocou, fez o peito doer e a cabeça rodar. Não era à toa que eu estava ansiosa para ver "Um vazio no meu coração". Fiquei o filme todo tentando entender o que ele quis dizer e não entendi nada. Já vi muito filme pesado, mas esse não me passou nada, a não ser um amontoado de clichês. Lá estão as cenas ditas "fortes": masturbação com uma escova de dentes, cirurgia vaginal, vômito, gente pelada o tempo todo. Mas não convence. É apenas um filme idiota e pretensioso. Na hora eu me lembrei do "Sweet Movie", um filme da década de 70 que também é forçado e chato. Mas é diferente, o filme é antigo, estava bem naquela fase de experimentações no cinema. Moodysson podia ter feito diferente.


Agora eu me questiono: por que o ser humano gosta desse tipo de filme? (Dos bons, claro)
Eu sou completamente apaixonada por filmes como "Gummo", "Pink Flamingos" e até mesmo "120 dias de Sodoma", que é tão criticado por um monte de gente. (Já falei deles no meu blog pessoal).
E confesso que estou ansiosíssima para ver "The Antichrist", novo filme do Lars von Trier, que causou sensações diversas em Cannes. (Aliás, em breve vou falar de Trier aqui...)

Algum comentário a respeito desse gosto humano pelo mau gosto?

sexta-feira, 26 de junho de 2009

SEXO! para mulheres.

"[...] Mas outras mirixorãs existirão lá, esperando por mim, mulheres que gostam muito de foder e que sabem tudo de amor. Elas têm suas artes. As outras mulheres mairunas também gostam de sururucar, mas seu único artifício é a glória de manter, dentro de si, um homem com o pau duro, sem esporrar, a noite inteira. As mirixorãs não. Elas têm artes de fazer um homem gastar todo o óleo, esporrando sem parar, durante a noite inteira. [...]" >>> Trecho do livro Maíra, de Darcy Ribeiro.

Sem me perder em delongas, conforme combinado com o namorado, eis um post sexual...ou sobre sexo, ou assexuado...se quiser poderia mesmo chamar de post foda, trepada, fodida, comida etc.
O fato é que: sou mulher e quero falar de sexo.
Quero falar de sexo e não necessariamente quero foder com você que está sentado em frente ao pc lendo isso (e não me conhece, naturalmente) e já enfiando a mão dentro da calça.
Porque não estou aqui pra falar dos meus desejos, nem expor porque os caras fodem-com-todas-e-não-tão-nem-aí.
Quero mesmo é brigar com meia dúzia de menininhas que estão ligando por demais pras castas machistas e como consequencia sufocando seus desejos...
Porquê tem medo de falar, porque acham que já nasceram prontas (afinal, it's just a hole), porque dão prazer pro namorado mas permanecem secas, porque mentem pras amigas dizendos que tudo é mil maravilhas, porque no final...tudo se resume ao medo do abandono.

Como já disse Polly Jean (aka PJ Harvey) em uma de suas canções:

"Eu percebi isso no rosto
vindo de novo
eu achei que valia a pena esperar
você foi capturado em minha cabeça
lados molhados de tempo em tempo
mas na maioria estou apenas seca
você me deixa seca
você me deixa seca
você me deixa seca"



É o famoso caso do "não correr atrás do seu" e depois ficar "chupando dedo".
Parte da culpa disso é essa liberação feminina fake: mulheres se contentam em construir imagens de si mesma como pessoas que trabalham (ui, super bem sucedidas), estudam (alôu? 5ª pós graduação-doutoranda?), tem vida social (sempre atribuladíssima) e ainda por cima são LE-O-AS na cama...maaaaaaaas esquecem do real, true life man!
E vcs se perguntam...uatarréu é uma mulher real?
É aquela que se respeita, que volta quase a ser virgem quando quer, que vira puta quando quer, que goza porque sabe que isso não depende só do pareceiro, aquela que se conhece, sabe os limites do seu corpo, sabe quais pode romper, sabe se valorizar, sabe ser.
E só.

Depois de anos no limbo de mim mesma, eu me redescobri como mulher tem pouco tempo... sentindo e dando prazer pra um (que no meu caso, é o que importa) e descobrindo cada dia mais que: sexo é a melhor droga que eu já experimentei.

So...enjoy it!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Amor de tudo ou nada II

Só se fala de amor, aqui e ali.

Aqui mais ainda.

Meu amor que eu não sei. Amor que eu canto. Amor que eu digo.
Teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto. Por quem fico. Por quem vivo.
Teus olhos são da cor do sofrimento.

Amor-país.
Quero cantar-te. Como quem diz:

O nosso amor é sangue. É seiva. E sol. E Primavera.
Amor intenso. Amor imenso. Amor instante.
O nosso amor é uma arma. E uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.

O nosso amor é um pássaro voando. Mas à toa.
Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.
O nosso amor é como a flor do aloendro.

Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper. Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor. Amor. Amor. Amor de tudo ou nada.
Amor-verdade. Amor-cidade.
Amor-combate. Amor-abril.
Este amor de liberdade.

Joaquim Pessoa, Amor Combate


Poema que mostra como eu sinto o amor. Agora, né? Antes eu gostava daquele amor à la Werther, sofrido. Agora perdeu a graça, ficou datado. Descobri recentemente que amores não morrem. Cuspi e me acertei na testa.
Esse poema foi escrito por Joaquim Pessoa (não confundir com o pai de Fernando Pessoa). Ele nasceu em 22/02/48. De peixes, assim como eu.

É o que consigo escrever agora.

[The Clash - Shoul I stay or should I go?]

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ah, esse tal de amor...


Não restavam dúvidas de que ele a amava.
Mas amava a outra também.

Com a anterior, viveu muitos dias de sol em que a lua também brilhava linda e cheia no céu. Era um misto da calma do mar, da aurora boreal e de canções de infância.
Era a pura sinestesia e sintonia... falavam de música como comida, eram melhores amigos, eram amantes. E era tudo tão perfeito que quebrou-se em cacos mínimos, como acontece com o cristal.
Sem cola, com o coração dilascerado, afogado pela vida ele partiu. Foi-se pra passárgada (ou seria pepperland?) onde não tinha amigo nenhum.
Reviver cada segundo, vasculhar a sensações. Foi até o fim.

Eis que surge a outra, de cabelos esvoaçantes e belo sorriso no rosto. Era a alegria personificada. Toda sorrisos, gestos graciosos e galanteios.
Vieram novamente as risadas, a vontade de sair de casa (vamos? sim...), a novidade e o medo.

Esse, ele encarou de frente: era um homem e não um rato. (os ratos fogem do navio primeiro...)

Tal como centro gravitacional, ele girou em torno dela. Pra sua surpresa ela correspondeu, girando em torno dele. Compartilhou sons, sabores, momentos... viu que que ela o olhava como se quisesse lhe arrancar a alma. Gostou disso.

Dias desses ele chorou em meu ombro "ainda amo a anterior"
"mas amo o meu agora e o ela dentro dele"
Não soube o que dizer.
Porém, nos olhamos como cúmplices (pois ele sabia que eu sabia) e tive a certeza que sinto agora: O amor não morre, ele se modifica. Mas vale muito... infinitamente... quando se recebe olhares de súplica de amor, se sente aquele desespero alegre, se quer devorar o mundo, sorri com borboletas no estômago e - principalmente - quer comer dos lábios do outro a frase "Eu te amo".

domingo, 31 de maio de 2009

Um pouco atrasada...


Semana passada, mais especificamente dia 26/05, foi o aniversário da minha amiga e companheira de blog, Jana. Mas como Murphy é BEM divertido, meu micro estava um lixo, eu estava um lixo e tudo mais, então nem tive como postar alguma coisa bonita pra ela. Espero que perdoe meu lapso.

Não tenho muito o que ficar dizendo aqui, acho que todos conhecem e muito bem todas as qualidades dessa menina. O fato de termos nos conhecido foi uma das melhores coisas da minha vida inteira. Foi de repente, foi sem querer e assim foi indo até ser essa coisa perfeita que é hoje.
Amizade sincera, verdadeira e completa. Foi ela que enxugou minhas lágrimas numa das horas mais complicadas, foi ela que me mandou emails acalmando meu coração quando eu pensei que fosse explodir, é ela que compreende que as coisas normais não são normais para mim, que doem e que eu não consigo lidar.

Desejo toda a felicidade da minha menina mineira não só nesse dia, mas em todos...ela merece demais toda a felicidade do mundo, ô se merece.

Jana, obrigada por existir, por estar na minha vida. Por tudo.
Uma completa a outra e assim seguimos, sempre inconformadas, querendo tudoaomesmotempoagora!

Amo você.
E mais uma vez, Feliz Aniversário atrasadíssimo!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Amor de tudo ou nada

Eu poderia dar desculpas, dizer que não tenho escrito aqui por falta de tempo. Não seria de todo mentira, realmente trabalho e pós me consomem, mas na realidade, eu não tinha o que escrever. Até mesmo o meu blog pessoal anda meio abandonado.
Aconteceu que de repente a realidade se tornou bem mais animadora, mas como tudo são ciclos, ela deu sua pausa. Ok, não foi uma pausa, ela apenas deixou de ter todo o brilho que teve no começo. E não estou reclamando, são momentos assim que fazem as próximas mudanças.

Voltei a escrever no papel, voltei a ter impressões das coisas. Aquela apatia toda parece que foi embora. E não há melhor momento para livros e filmes que marcam, que doem, que mudam.
O amor pode ser um tema batido, mas impossível falar de algo sensível sem citar o amor, seja ele meloso como o de uma "A Moreninha", doentio como de um "Perdas e Danos", melancólico como de um "Werther" e assim por diante.

Recentemente me deparei com o tema traição.
Nada melhor do que Bergman para falar desse tema tão dolorido, em todas as esferas.
Os escolhidos foram: "Infiel" e "Cenas de um Casamento"

"Infiel" tem roteiro de Ingmar Bergman e direção de Liv Ullmann. Vale lembrar que os dois um dia foram um casal e tiveram uma filha. No seu livro "Mutações", Ullmann disse algo como: "Como podem duas pessoas que se amam tanto se machucarem dessa forma?".

"Infiel" trata um pouco disso. Uma mulher, com uma vida aparentemente perfeita, se envolve com o melhor amigo de seu marido. Algumas semanas em Paris e o retorno à casa. E ela precisa enfrentar o caos que tudo desencadeia.

Vi o filme "Cenas de um Casamento" e me lembro de ter ficado espantada e com um certo nojo do conceito de casamento. Recentemente ganhei o livro desse filme. Lendo é possível sentir ainda mais as emoções que Bergman quis passar.

Aqui, é o marido que traí. A família perfeita, carreiras bem sucedidas, filhos saudáveis...e mesmo assim "Todo amor do mundo não foi suficiente" (Parafraseando A Naifa. Aliás, os portugueses tem um dom latente para a melancolia, mas isso é assunto para um outro post). Aqui temos a dor, a humilhação, a vergonha. Todos os temas que Bergman tratou de forma mágica.

E assim me questiono: até que ponto existe amor? É eterno? É bonito só nos livros?
Ontem um amigo me disse que eu vivo rodeada por tristeza, com meus livros e filmes. A realidade pode ser triste, costuma ser na maioria das vezes. E não é papo de fã de amor de romântico. Uma professora costumava dizer que livro bom é aquele em que o final não é feliz. Acho que acostumamos a ver a tristeza como arte, de modo a esquecer quando ela existe na vida real. Ou seria masoquismo? Eu sinceramente não sei.
A Anneke disse que aos 34 anos ela estava começando a entender as coisas...eu tenho 22 e não cheguei nem na metade do caminho.

E vocês? O que acham disso tudo?

[Sim, post confuso, "jogado". Mas me dêem (para mim ainda vai ter acento por um bom tempo!) um desconto porque fazia décadas que eu não escrevia. E conhecem aquela síndrome de Kerouac, né?]

A Naifa - Música

terça-feira, 17 de março de 2009

Pessoas que perdem filhos, choram para sempre.

Esquivei-me da mosca que rondava próximo ao meu prato sujo de restos, onde há muito eu não comia.
Despejei no chão da sala o resto dos seus objetos, fui separando-os um a um.
Novos destinos para tecidos que não podem mais aquecer aquele corpo.
Não parava de pensar como havia sonhado com ela na noite anterior. Me parecia tão triste...

-Isso queima! - me dizia

Eu era a única que a via, que sabia.
Saí dos pensamentos com a mosca ainda inquieta a me atormentar voando sobre minha cabeça.

ZZzzzzzzz
é o barulho que a mosca fazia.

Que me lembrava aquele outro barulho da máquina que a manteve viva por um tempo.
Por um tempo, menos de seis meses. Tão curto espaço de tempo. Tão doloroso espaço de tempo.

Uma lágrima correu pela minha face.
Dor,mas principalmente indignação.

Deus mostrava sua faceta mais cruel e, para mim - mãe, ele agora era só um delírio.